Crítica – Deadpool (2016)

A ansiedade era enorme. Finalmente sairia no cinema o filme de um personagem que gostava muito. Porém, nada era perfeito. O ator que interpretaria ele era ninguém menos que Ryan Reynolds. Para quem me conhece, sabe que o famoso e inexpressivo ator figurava na minha “black list” desde os tempos mais primórdios (se não sabe, clique aqui). O desespero tomava conta de mim, mas a calmaria não tardaria a chegar, junto com os teasers e trailers do filme que eram liberados em profusão. Fiquei realmente esperançoso, mas sempre com aquele pé atrás. Porém, depois de tudo posso dizer que ele saiu com honras e glórias da minha lista negra de atores que estragam filmes até calados. Como foi que ele conseguiu tal façanha? Conto pra vocês.

CUIDADO: OS TRECHOS ABAIXO PODEM CONTER SPOILERS! SE VOCÊ AINDA NÃO VIU O FILME E NÃO QUER ESTRAGAR SUA EXPERIÊNCIA, PARE DE LER AQUI!

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Desde que o filme foi anunciado oficialmente, eu tinha duas certezas: Seria excelente ou uma grandiosa bosta. O hype criado em cima do mesmo foi gigantesco, devido a todo o histórico de cancelamentos, engavetamentos e outros pormenores em volta do longa. Era quase uma lenda urbana, uma referência de infinito. Cheguei a ver alguns casais apaixonados dizerem um pro outro algo como “te amarei até que o filme do Deadpool seja lançado”. E ele finalmente foi, dando fim a muitos romances mundo afora.

Pois bem, chegado o grande dia vou eu e minha digníssima companhia assistir o tão aguardado filme. Sessão das 22 horas, sala lotada, público mesclado entre pessoas que nitidamente eram fãs do personagem e outras que sequer sabiam quem ele era (minha companhia inclusa). Já no começo do filme, nos primeiros segundos, uma enxurrada de piadas que arrancam risadas de toda a sala. E a sequência continua com mais piadas e referências, umas atrás das outras. Era como se o personagem dissesse: “Muito prazer, Deadpool”.

No decorrer do filme, temos alguns momentos um pouco mais “dramáticos” que rapidamente são quebrados pelo timing cômico de Deadpool. E nesse ponto, devo destacar o tão odiado (por mim) Ryan Reynolds. Nunca gostei de suas atuações, sempre achei um ator medíocre pra ruim, mas ele encarnou um perfeito Deadpool. As piadas, o tom de voz debochado e sarcástico e os olhares nos levam diretamente para os quadrinhos, principalmente nos momentos em que ele quebra a famosa “4ª parede”, conversando com o público e dando a real noção de que ele sabe que é um personagem. É de longe (muito longe) a melhor adaptação de um personagem de quadrinhos para o cinema.

Voltando propriamente ao filme, as grandes sacadas foram às dezenas de referências ao universo cinematográfico de super-heróis. As piadas são infindáveis e num simples piscar de olhos, se perde alguma. Pode ser que a galera que não acompanha tanto cinema tenha ficado perdida em uma ou outra, mas a grande maioria foi compreendida. Uma cena em específico, onde o Deadpool, num intervalo de menos de 20 segundos, faz uma piada com a linha temporal dos filmes do X-Men (“qual Professor X? Patrick Stewart ou James McAvoy”) e em seguida, quando está sendo arrastado por Colossus, ele fala uma icônica frase de Robocop (“vivo ou morto, você vêm comigo”). Isso mostra o quanto o roteirista brincou com as referências, sem medo de soar forçado. Isso tudo banhando a tela com sangue e pedaços de corpos, sem em nenhum momento perder a mão.

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Resumo final

Deadpool é o filme que deveria ser. Sem pudor algum, assim como seu protagonista, o filme destila piadas pesadas, referências e sangue durante 1 hora e 40 minutos sem que isso se torne apelativo e muito menos forçado. Com toda certeza a melhor adaptação de uma HQ para o cinema não só pela ótima atuação de Ryan Reynolds como por transportar todo o clima dos quadrinhos para a tela, coisa muito rara de se ver. Eu saí extremamente satisfeito do cinema e minha digníssima companhia também, mesmo ela não conhecendo o personagem.

Ah! E para quem não viu, existem duas cenas pós-créditos que são impagáveis. Vale a pena conferir.

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