Livros de Sangue (Clive Barker)

Atenção! Algumas imagens deste artigo são pesadas e podem te deixar desconfortável. Se você tem coração fraco, por favor, não continue a leitura.

“As histórias continuam. Elas sangram e sangram. Os mortos tem estradas. Só os vivos estão perdidos. Mas há sinalização e pontes onde os mortos param para contar suas histórias. Porque contar, alivia a verdade. E é melhor ouvir.”

Sempre gostei muito do gênero Terror e Horror*. Não sei o porque, talvez pela adrenalina que é disparada a cada susto. Desde moleque eu passava noites e mais noites assistindo grandes clássicos (alguns hoje seriam classificados como trash) como O Exorcista, A noite dos mortos-vivos, O iluminado, Sexta-feira 13, Uma noite alucinante (que mais parece nome de filme de Sessão da Tarde) e pude quando adulto assistir a alguns bons filmes do gênero como A Morte do Demônio, REC e Invocação do Mal. Além disso, joguei (de madrugada) inúmeros jogos como Fatal Frame (talvez um dos meus preferidos).

Aproveitando um momento que precisei ficar de “molho” e (re)assistindo Hellraiser (para quem não sabe, é um filme com um dos personagens de terror mais conhecido – Pinhead -, baseado no livro The Hellbound Heart, do escritor britânico Clive Barker), decidi procurar algum livro do autor. Dei de cara com um que me interessou (pelo nome): a coletânea Livros de Sangue.

Livros de Sangue (Clive Barker)

Pinhead (que não está no livro, mas vale pela imagem).

Em uma madrugada fria comecei a ler o livro. Foi então que me toquei que ele tinha mais de 2000 páginas! Pensando em vocês, queridos leitores, eu li os três primeiros contos (de 30) e vou dividir um pouco da experiência dessa obra fantástica.

*TERROR: qualidade do que é terrível, estado de pavor, pessoa ou coisa que amedronta, aterroriza.
HORROR: forte impressão de repulsa ou desagrado, acompanhada ou não de arrepio, gerada pela percepção, intuição, lembrança de algo horrendo, ameaçador, repugnante; pavor.

Eu vi o futuro do Horror… E seu nome é Clive Barker

Pausa para falar sobre o autor. Clive Barker é um dos mais originais autores do gênero. Sua literatura é profundamente chocante, um terror nu e cru, que não ameniza em nada. Entenda, qualquer contato com o trabalho do autor o deixará desconfortável. Serão litros de sangue em narrativas repletas de pactos diabólicos, visões assombrosas, erotismo, cadáveres, sadomasoquismo, escatologia e sexo. E se o mundialmente conhecido autor do mesmo gênero, Stephen King disse “Eu vi o futuro do Horror… E seu nome é Clive Barker”, então você pode imaginar qual a impressão de suas obras.

Livros de Sangue (Clive Barker)

Clive Barker

Clive Barker nascido em 5 de outubro de 1952, em Liverpool, é escritor, cineasta, roteirista, ator, produtor de cinema, artista plástico e dramaturgo inglês, conhecido pelo filme clássico dos anos 80, Hellraiser (Pinhead é o melhor! |m|). O multifacetado britânico, além de ser um grande escritor e cineasta, tem um pé na indústria de games, sendo a mente por trás de alguns como por exemplo, Clive Barker’s Jericho.

O Livro de Sangue

“Os mortos têm suas estradas.
Por elas transitam filas constantes de trens-fantasmas, carruagens de sonhos, atravessando a terra árida atrás das nossas vidas, com o tráfego infindável das almas que partiram. Seu ritmo monótono e pulsante pode ser ouvido nos lugares devastados do mundo, através de fendas produzidas por atos de crueldade, violência e depravação. Sua carga, os mortos errantes, pode ser vista de relance quando o coração está a ponto de explodir, e visões que deviam estar ocultas surgem definidas.”

O primeiro conto e introdução da coletânea, O Livro de Sangue, conta a história de uma parapsicóloga, Mary Florescu, que com a ajuda do jovem médium Simon McNeal, investiga fenômenos paranormais em uma casa. Durante a sua investigação, acontecem vários incidentes inexplicáveis e cada vez mais aterrorizantes. Mary fica convencida que está a beira de encontrar provas de atividades paranormais, mas o preço a pagar poderá ser alto demais.

O primeiro conto é bem curto, mas consegue dar uma amostra do que está por vir. Sangue, sofrimento e um desfecho fantástico, abrem as portas para o mundo grotesco e sangrento de Clive Barker. Não é a toa que finaliza com a seguinte frase:

“Nas páginas seguintes estão as histórias escritas no Livro de Sangue. Leia-as, se quiser, e aprenda.
São um mapa daquela estrada escura que conduz para fora da vida e a um destino desconhecido. Poucos terão de percorrê-la. A maioria irá tranquilamente por ruas iluminadas, conduzida para fora da vida com orações e carícias. Mas para outros, para os poucos eleitos, os horrores virão, saltitantes, para levá-los à estrada dos condenados.
Portanto, leia-as. Leia-as e aprenda.
É melhor estar preparado para o pior, afinal. Além disso, é prudente aprender a andar antes que a respiração termine.”

*A imagem em destaque faz parte deste conto, mas é o poster do filme baseado nele (lançado em 2009).

O Trem de Carne da Meia-noite

O segundo conto me fez lembrar de um filme. E sim, existe um filme baseado nele (O Último Trem). A história gira em torno do forasteiro Leon Kaufman que considerava a cidade de Nova York o Palácio da Delícias e acaba descobrindo que o lugar não é tão doce assim. Até que seu destino se cruza com o de um serial killer que, por alguma razão, tem passe livre para cometer suas atrocidades sem ser incomodado. As mortes do trem de carne da meia-noite são marcadas pela perfeição do assassino. Mas por quê todos os corpos estão despidos e totalmente depilados? Esse fato faz o assassino parecer mais perfeito. E esse encontro de Kaufman com o matador? Mesmo tentado se esconder, será que ele sai vivo? Será que ele descobre o por quê dos assassinatos?

Trailer de “O Último Trem”

O Yattering e Jack

No terceiro conto, Jack Polo é um homem que não se abala com nada, por mais chocante que seja a situação. Yattering é um diabinho enviado pelo alto-escalão do inferno para corromper a alma de Jack e levá-la embora. Mas como? Como infernizar um homem que quando descobre que a mulher está traindo em seu próprio banheiro apenas ignora o acontecimento? Como irritá-lo se ele só diz para a sua filha não engravidar após ela dizer que é lésbica? Ou matar os três gatos dele de maneiras diferentes e nem assim Jack se abala. Pelo que percebi, cada conto é único. Esse por exemplo, é bem cômico. É muito engraçado um demônio de baixa-classe tentando recolher a alma do que aparentemente é o ser humano mais desinteressante da face da Terra. Por enquanto é o meu favorito!

Conclusão

A primeira impressão não é a que fica? Pois é! No meu caso, estou com grande expectativa com essa coletânea. Passei dos 10% dos 30 contos com um misto de desconforto, choque, repulsa e até risada (o que realmente não esperava) que não via em um livro de terror há tempos. Palmas para Clive Barker e indico se você curte o gênero. E agora, me dê licença que vou continuar minha leitura.

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