Pitacos #11 – Aquecimento Noé: Filmes Bíblicos

Na próxima quinta-feira teremos o lançamento mundial do aguardado filme “Noé”. Estrelado por Russel Crowe e com elenco badaladíssimo (Anthony Hopkins e Jennifer Connelly). Você vai ler a crítica aqui no site no dia da estreia, portanto, fique ligado.

Mas como ainda não assistimos ao filme, vamos aquecer um pouco falando do gênero “filmes bíblicos”.

Se você tem mais de 25 anos, é possível que se lembre das páscoas da sua infância com certa saudade. Afinal de contas, era a época de comer muito chocolate. Além dos ovos, outras duas coisas eram certas na páscoa: bacalhau e filmes bíblicos na sessão da tarde.

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Let my people go!

A religião é algo que sempre esteve presente na história da humanidade, quer para o bem, quer para o mal e a bíblia – pelo menos no ocidente – é o mais popular dentre os livros religiosos. Suas histórias mitológicas, violentas e cheias de beleza sempre serviram de inspiração para a sétima arte. É de 1903 a primeira versão da “Paixão de Cristo”, dirigida por Ferdinand Zecca, ainda nos primórdios da história do cinema.

Nos anos 50, tivemos o ápice de produções bíblicas no cinema e a figura que melhor representa essa fase, na minha opinião, é Charlton Heston. O ator, ativista político e astronauta do planeta dos macacos americano (morto em 2008) deu vida a dois dos personagens mais emblemáticos do gênero: O Moisés de “Os Dez Mandamentos” e Judá Ben-Hur, do filme homônimo.

Em “Os Dez Mandamentos”, Heston encarna um Moisés deslumbrado e comprometido em ser o próximo Faraó. Enquanto o seu irmão adotado Ramsés faz de tudo para azucrinar a vida do queridinho do papai, Moisés é só trabalho. Quando tudo parecia ir de vento e popa e Moisés estava prestes a assumir o trono egípcio, a terrível verdade vem à tona: Moisés era hebreu e, portanto, filho de escravos. Ele é expulso do Egito e vai viver no deserto, mas Deus lhe aparece durante o exílio e o comissiona para resgatar o povo judeu da escravidão. Trata-se de uma superprodução para os padrões da época (e até hoje), repleta de efeitos especiais, reviravoltas e caracterizações bastante competentes para a época.

O papel caiu tão bem para Heston que mesmo hoje, quando nos lembramos de um cara prestes a quebrar duas tábuas de pedra, a imagem que vem é a imagem do ator.

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Ben-Hur

Em 1957, um dos fundadores da MGM passou dessa pra melhor. Coincidência ou não, a empresa enfrentou uma crise sem precedentes na sua história: atores foram dispensados de seus contratos, a Hannah-Barbera puxou o carro e os lançamentos no cinema eram sucessivos fracassos. Como última tacada, o estúdio resolveu filmar uma versão falada do sucesso do cinema mudo Ben-Hur, adaptação do romance de Lew Wallace.

E não é que a MGM acertou? Ben-Hur foi um estrondoso sucesso de público, crítica, corridas de bigas e tudo mais que você possa imaginar. Só para ter uma ideia, o filme levou 11 oscars pra casa, feito que seria igualado apenas 38 anos depois com Titanic, mas jamais superado. A cena da corrida de bigas é um referencial para a cultura pop (Starwars Episódio I, lembra?) e também um marco em termos de efeitos especiais: demorou seis meses pra ser filmada, milhares de figurantes participaram e o sangue de Heston é de verdade.

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Polêmicas

Não existe Tom sem Jerry, Batman sem Coringa e Filme bíblico sem polêmicas. Dois filmes, envolvendo a figura de Jesãns são os maiores exemplos – pelo menos até sair Noé – disso. Estou falando de “A paixão de Cristo”, de Mel Gibson e “A última tentação de Cristo”, de Martin Scorsese.

Em “Paixão de Cristo”, Mel Gibson escolheu dar a mais sangrenta abordagem possível para a “carreira” de Jesus: repleto de sangue, pedaços de carne voando, porradas e hematomas,  o filme se torna uma experiência sofrida para o espectador mais sensível. Eu mesmo tenho um amigo que passou mal e teve que ser atendido pelo SAMU durante a sessão. Mas a maior polêmica que envolve a obra é a maneira que nós (brincadeira), judeus, somos retratados.

Vilões da história (afinal de contas, os judeus mandaram matar Jesus), o filme trouxe de volta a questão do antissemitismo. Mel Gibson sempre negou o fato, mesmo sendo seu pai um antissemita famoso. Talvez para se redimir, ele tenha decidido filmar a história de Judas Macabeus, grande herói judeu que expulsou o exército grego de Jerusalém.

Cinemas incendiados

Em “A Última tentação de Cristo”, somos apresentados a um Jesus (Willem Dafoe) meio inseguro, cujo manager era Judas Iscariotes. Esse sim, grande manjester político da época (segundo o filme). Como se não bastasse Jesus ter esse lado chuchu, ele ainda frequenta o melhor “puteiro” local para trocar ideia com sua amiga (e futura esposa – no filme) Maria Madalena; temos também David Bowie como Pôncio Pilatos, João Batista cercado de mulheres hippies desnudas e doidas de ácido – no melhor estilo Woodstock – e uma garotinha linda fazendo o papel do Coisa-ruim. Não precisa dizer o rebu que foi. A obra foi vítima de vários protestos e sanções ao redor do mundo. Chegou ao ponto de salas de cinema terem sido incendiadas.

Uma opinião pessoal: Se você é cristão e torce o nariz para o filme, eu te digo: dê uma chance. Nenhuma outra obra tratou melhor das aflições de Jesus no quesito “pecado x santidade”. Certamente diante de algumas cenas, você ficará “tentado”, portanto, pense como Jesus reagiria a essas mesmas tentações – se você acredita nEle.

Outros filmes bíblicos que valem a pena (fora os citados acima)

  • Jesus de Nazaré: Dirigido por Franco Zeffirelli. O filme (originalmente uma série de TV) retrata como nenhum outro a vida de Jesus Cristo na Terra. Se você quer uma história inspiradora, a escolha é essa. Disponível no Netflix.
  • Rei Davi: Com Richard Gere no papel principal, o filme retrata a turbulenta história de Davi sem nenhum pudor. O garoto que matou Golias e depois foi perseguido se tornou um rei implacável, mulherengo e violento. Está tudo ali. Também disponível no Netflix.
  • O príncipe do Egito: Animação que retrata a história de Moisés, desde o nascimento até a chegada ao Monte Sinai.
  • The Bible: Série de TV de 2013, em dez capítulos, com as principais histórias da bíblia. Foi um sucesso de audiência  nos Estados Unidos e está disponível no Brasil em versões DVD e Blu-Ray.

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Pitaco Final

O gênero bíblico é repleto de filmes que valem a pena. Se você é apreciador da sétima arte, confira alguns dos títulos listados aqui. Se for religioso, o filme pode ser inspirador para a sua fé.

Temos uma nova safra de filmes bíblicos vindo por aí: Noé, que estreia essa semana, Gods and Kings, onde teremos Batman no papel de Moisés e Son of God, que é um extrato da série The Bible, para o cinema.

Que a safra seja tão boa quanto a dos anos 50.

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