Pitacos #15 – Playstation 4: Já está na hora de ter o seu?

Ah, os videogames. Como eles mexem com a gente, né? No passado, brinquedo de criança. Hoje, brinquedo de tiozão (me incluo). No passado, coisa de menino. Hoje, as mulheres também adoram. No passado, apenas um brinquedo. Hoje, movem uma indústria bilionária.

Uma coisa é fato: eu não vejo um mundo sem videogames. Minha história com eles começou cedo: primeiro o Atari, depois o Nintendo. O SuperNES veio na sequência e então eu resolvi migrar pro PC.

Minha história começou bem com o PC; usei como minha “máquina de jogos” durante muito tempo, ao ponto de jamais me imaginar comprando novamente um console. Troca uma placa de vídeo aqui, compra uma memória ali, troca o gabinete… aquela rotina que quem tem PC sabe muito bem qual é.

Tudo estava indo bem, até que um dia – depois de meses esperando ansiosamente – foi lançado o game “O Poderoso Chefão”. Neste dia, meu divórcio com os PC´s chegou: O jogo não rodou, incompatível com minha placa de vídeo. Comprei outra placa e o jogo não rodou também. Devolvi a placa ao fornecedor. Coloquei a antiga e descobri que, durante o processo, ela havia queimado. Estava sem placa de vídeo, sem jogo e puto da cara. Em um ato de fúria, resolvi mandar a responsabilidade às favas e comprei Playstation 2, quatro jogos originais (O Poderoso Chefão incluso, claro) controle e tudo o mais que eu tinha direito!

 Playstation 2: Os anos dourados

Que diferença, que paz de espírito, que felicidade: com o Playstation 2 eu vivi os anos dourados da minha juventude gamística: jogos eram lançados aos borbotões, o console desempenhava o seu papel muito bem e quase todo mundo tinha um.

Impressionante lembrar o quão boa foi a geração PS2: Granturismo 4, GTA San Andreas, God of War, o auge do Winning Eleven, Fight Night, Need for Speed Most Wanted; impossível citar ou elencar esse ou aquele jogo. Ainda havia aquela variedade monstra de títulos não tão badalados, mas interessantes: Rocky Legends e 24 horas entram na minha lista.

Acontece que a tecnologia evoluiu muito durante a era PS2: quando ele chegou, as televisões de tubo de 29 polegadas eram a coqueluche – 20 quilos de pura ostentação. Mas os anos foram passando, passando, passando e começaram a aparecer televisores de Plasma, LCD. A resolução desses aparelhos era de uma superioridade absurda em relação às Tv´s de tubo. Ao mesmo tempo, as possibilidades de conectividade com a internet cresceram exponencialmente.  O PS2, embora possibilitasse jogos online, não tinha nada em termos de conectividade. Era o fim de uma era: era chegada a hora do Playstation 3.

Playstation 3: A revolução enfim chegou

Demorei até me convencer a comprar um PS3. Eu não tinha televisão HD, à época, e tinha uma paixão muito grande pelo PS2 e meus jogos.

Certo dia, contudo, li a notícia de que a série Rockband ganharia um capítulo histórico e definitivo: O Beatles Rockband.

Aquilo mexeu comigo de forma avassaladora. O ano era o de 2009 e nada me demoveria da ideia de possuir o jogo. A “má” notícia veio logo que soube que o game só sairia para PS3 e Xbox 360. Bem, não pensei duas vezes: estourei o cartão e voltei com PS3, Beatles RB e guitarra pra casa!

Quando liguei o PS3 pela primeira vez, fiquei embasbacado. O salto de qualidade na interface (que era superior no Xbox 360) era espetacular: design, sons, navegação na internet, uma loja com demos disponíveis para download. Senhor amado, o que era aquilo!

Lembro-me de ter ficado horas e horas só navegando naquela interface maravilhosa. Quando coloquei o PS3 em uma TV de alta definição então… Nossa Senhora de Aparecida, que espetáculo!

O pontapé estava dado e a geração PS3 foi igualmente espetacular. Inúmeros títulos que fizeram história: Uncharted, Last of Us, Skyrim, GTA V, Red Dead Redemption, a virada de mercado do Fifa, a série Rockband. Foram outros bons anos de excelentes jogos, madrugadas e risadas com os amigos no online. Enfim, aquilo parecia que não ia ter fim. Mas o tempo passa. Quando comprei o PS3, tinha um monte de cabelo. Agora, quase careca, chegou a hora de admitir: O PS3 chegou ao limite e é chegada a hora do PS4.

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Playstation 4: Encanto sem encanto, por enquanto

Comprei o PS4 há uma semana, aproveitando-me de uma distração da patroa.  Sempre tive a convicção de que o salto entre a geração PS2 e PS3 seria muito maior do que o da geração PS3 e PS4. E, até o momento, é isso mesmo: Apesar de nítida melhoria, o PS4 não é um console capaz de fazer você aposentar o PS3 de imediato. Longe disso.

O que posso dizer, então, sobre o PS4? Vamos dividir a coisa por tópicos, fica mais fácil pra escrever e pra você ler.

Interface e novo controle

A Interface nova do PS4 mudou pouco na aparência e nada na essência. O acesso às funcionalidades é muito mais rápido do que no PS3 (o que é óbvio), mas o jeitão da interface do PS3 ainda está lá: mesmos ícones e poucas mudanças na navegabilidade. Você continua navegando de um lado para o outro, como no PS3, mas alguns itens ficam agora num menu “superior”. São mudanças sutis e positivas, mas não revolucionárias.

Vamos falar um pouco das novidades? Veja aí:

  • Modo de espera: É como hibernar o seu notebook. Você pode usar o modo de espera para carregar o controle e baixar os jogos, sem que o PS4 esteja necessariamente ligado. A opção de desligar ainda existe. Desagradou-me o fato de não ter um “desligar depois de baixar o jogo”, como no PS3.
  • Aplicativos e jogos em segundo plano: Os jogos (e aplicativos) agora não precisam ser encerrados para que você navegue pela interface do PS4: Você pode continuar com ele aberto em segundo plano e usar outras funcionalidades da máquina.
  • Novas aplicações: Temos o Playroom, que faz uso da câmera do Playstation e deixa sua casa cheia de robozinhos. Tipo o Eye Pet, coisa que não me agrada nem um pouco. Temos ainda uma aplicação robusta para edição de vídeos, o SHAREfactory, que permite ao usuário editar seus vídeos, fazer anotações e postar direto no facebook ou Youtube. É uma opção mais robusta do que o que está presente ao acionar o “share”.
  • Dualshock 4: O novo controle abandonou os botões Select e Start. No lugar deles temos, do lado esquerdo, o botão Share e, do lado direito, o botão Option. O Share faz exatamente o que o nome diz: Ele compartilha as coisas do seu PS4 (screenshots da tela, vídeos ou mesmo o gameplay) nas redes sociais ou canais de transmissão de vídeo. Além disso, ele possuiu uma área touchpad que serve para interação com games e um auto-falante que emula alguns efeitos sonoros interessantes – tipo o controle do wii que já tem uns 40 anos.

Biblioteca de Jogos

Esse é um assunto bastante relevante em se tratando de PS4: aquilo que sempre falamos nas rodas de amigos, coisas do tipo “Ah, o PS4 não tem jogos” é a mais pura… verdade. A biblioteca é bem escassa, seja para compra, seja no uso da Playstation Plus. Aliás, a Playstation Plus no PS4 é uma piada: apenas um jogo gratuito disponível, portado do PS3. Vou falar mais disso no pitaco final.

Os grandes “destaques” do PS4 são Infamous: Second Son e o vindouro Watch Dogs. Temos uma versão do Fifa, um COD, Killzone, Battlefield, alguns jogos independentes e outros gratuitos aqui e ali, mas nada pra fazer marmanjo chorar.

Os jogos que joguei no PS4

Blacklight Retribution: Trata-se de um FPS gratuito, onde você pode evoluir comprando itens tanto com pontos de XP adquiridos no jogo como com compra de créditos com dinheiro real (estilo LOL e outros jogos emo´s do tipo). É um FPS bastante divertido, competente. Não chega a ser complexo como Battlefield, mas cumpre bem o papel. Os gráficos não impressionam.

Warframe e DC Universe: Igualmente gratuitos, testei muito brevemente. Gostei muito da interface do Warframe, mas ainda preciso aprender a lidar com ela. Do DC Universe, não gostei de nada e deletei o jogo. Não é pra mim.

Stick it to the Man: Um dos poucos jogos free da PSN+ para PS4. É divertido, mas não compensa (nem de longe) a assinatura do serviço. Serve somente para nos apresentar as funções novas do novo controle – o Dualshock 4 e seu touchpad.

Infamous Second Son: Primeiro grande jogo feito exclusivamente para o PS4, Infamous segue os mesmos acertos e erros de seus antecessores, aquele jeito desleixado de ser da série Infamous, que ora flerta com o clássico, ora com o comum. Os gráficos, aqui, impressionam: os efeitos de fumaça e luz dão um passo além do que tudo que conhecíamos até agora – em termos de Playstation. O touchpad se mostra útil na interação com o ambiente. O jogo, em si, não é uma obra de arte: diverte, impressiona, mas não é um clássico.

Fifa 14: Joguei a versão demo. Dentro de campo, não se notam mudanças no jogo, e sim, numa melhor (e discreta) qualidade gráfica. Quando o assunto é torcida, aí a coisa muda de figura: O Fifa do PS4 tem uma torcida de verdade e não mais aquelas placas de papelão dos jogos de futebol da geração PS3. Uma mudança que deve agradar aos mais puristas. É cedo para dizer como a EA vai se valer do potencial do PS4 para impressionar com jogos de esporte. Aguardemos!

E o compartilhamento: funciona?

Update: o compartilhamento funciona sim. Basta que o primeiro comprador desvincule sua conta via internet, se tornando um popular “fantasma”, um velho conhecido dos compartilhadores do PS3.

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Pitaco final

Se você me perguntar: “é o momento de comprar um PS4, agora?”, a minha resposta vai ser um sonoro não. Obviamente, se você vai ao exterior ou tem alguém que traga o equipamento pra você – sem cobrar ágio – compre pela oportunidade. Do contrário, eu diria que o PS3 aguenta um bom tempo ainda.

A PSN+ no PS3 é infinitamente mais atraente, com uma biblioteca bem interessante de jogos gratuitos. A PSN+do PS4 é fraca, fraca; se você tem um PS3 e um PS4 vale a assinatura para aproveitá-la no PS3 e não no PS4.

Os avanços gráficos e recursos enchem os olhos – mas não espere nada perto do encanto que foi trocar de PS2 para PS3. O PS4 é, por enquanto, um PS3 mais desenvolvido e rápido e com poucos jogos disponíveis.

Se você pensa em pegar o PS4 depois de vender o PS3, eu recomendo fortemente que não o faça. O PS3 ainda tem muita lenha pra queimar e, possivelmente, vai revezar as atenções com o seu PS4 por muito tempo.

Tomara que o Watch Dogs me faça queimar a língua logo logo.

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