Playstorm Indica #4 – O Escafandro e a Borboleta

Muita gente tem certo preconceito com filmes fora do eixo Hollywoodiano. Porém, existem filmes sensacionais, verdadeiras obras de arte, espalhadas pela Europa Oriental e em países até tradicionais na 7ª arte, como França e Itália. E é do país de Charles de Gaulle que vem esse filme (fantástico, em minha opinião) que indico a vocês.

O Escafandro e a Borboleta

O filme

O filme narra a história de Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric, em performance inspiradíssima), editor da revista Elle, 43 anos e apaixonado pela sua vida. Porém, a vida, a qual ele tanto amava, lhe dá uma rasteira. Enquanto dirigia por uma estrada entre duas pequenas cidades na França na companhia de seu filho, Jean sofre um derrame. Após 20 dias em coma, ele acorda. Sem entender muito bem o que lhe ocorreu, porém lúcido, Jean se vê com uma rara paralisia. O derrame fez com que seu corpo ficasse completamente imóvel, com exceção do seu olho esquerdo.

Como sempre foi um apaixonado pela vida, Jean se recusa a aceitar sua condição. Não se entregaria jamais. Tinha seu raciocínio intacto, mas sua condição física não permitia que ele se comunicasse com o mundo como antes. Com isso, ele busca uma nova forma de se comunicar. E através da única parte do corpo que ainda respondia aos seus comandos, o olho esquerdo.

Com a ajuda de sua enfermeira Henriette (Marie Josée Croze, de uma sutileza ímpar), Jean estabelece uma comunicação que consiste basicamente em piscar seu olho esquerdo uma vez para “sim” e duas vezes para “não”. Henriette estabelece um alfabeto em ordem de “letras mais usadas”, facilitando a comunicação entre eles, que se tornam confidentes.

O Escafandro e a Borboleta

Uma história real

A história (real) de Jean é retratada com muita delicadeza, mesmo jogando limpo com espectador o tempo todo. O trabalho magistral do diretor Julian Schnabel (Antes de Anoitecer, 2000), faz com que, em momento algum, a deficiência do personagem principal seja uma trilha para o sensacionalismo. O início do filme, com a câmera totalmente em primeira pessoa, focada na visão do olho esquerdo de Jean, passa toda a emoção necessária para que nós mergulhemos de cabeça no drama, sem ser piegas. O “mal estar”, involuntário e absolutamente bem encaixado, que essa visão nos trás nessa primeira parte do filme faz do espectador uma parte de Jean, “sentindo” seu sofrimento a cada troca de foco, a cada take de seu olhar nitidamente perdido.

A infeliz coincidência de um editor de uma revista de moda, onde o foco é totalmente a beleza física, ter seus movimentos corporais quase que totalmente limitados faz com que nos aproximemos ainda mais da história.

Já na segunda metade do filme, temos o contra plano. Finalmente conseguimos ver o rosto de Jean (momento de maior entrega de Mathieu, brilhante). A transição com timing perfeito condiz com o momento onde Jean decide deixar de ter pena de si.

O Escafandro e a Borboleta

Resumo final

Conduzido de forma absolutamente ética pelo ótimo diretor nova-iorquino, “O Escafandro e a Borboleta” retrata fielmente, com todos os pontos e vírgulas, a história do editor da Elle sem ser piegas e apelativa em nenhum momento. Sutil, dramático e muito emocionante. É um filme recomendado para todos aqueles que perderam a esperança por algum motivo, enxergarem a vida por outro ângulo.

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