PlayStorm Review: Workshow Russell Allen

Uma tarde para se lembrar

Tarde de sábado, Rio de Janeiro. O calor, típico da Cidade Maravilhosa, está implacável. Sigo com minha noiva (sim, não sou casado mas resolverem isso em novembro) para o local do evento. Uma pequena fila está formada na porta do Rio Rock & Blues Club, casa pequena, porém aconchegante no centro da cidade, ao lado dos famosos Arcos da Lapa. Entre os presentes na fila, a média de idade varia entre 25 e 30 anos, comum para eventos do tipo. Pouco antes das 16 horas (hora marcada para a abertura da casa), o público foi entrando e seguindo para o terceiro andar da casa, onde o workshow seria realizado. Vale salientar a ótima qualidade da casa, com decoração temática e ótimos serviços.

Antes de começar a falar do evento, farei uma breve descrição dos músicos envolvidos para quem não os conhece.

O responsável por abrir essa turnê de workshows é Thiago Bianchi, vocalista brasileiro de heavy metal com passagens marcantes pelas bandas Karma e Shaman, hoje vocalista e líder da banda Noturnall. É filho de uma grande voz da MPB dos anos 60, Maria Odete.

Quem é Russell Allen?

Russell Allen, um dos melhores e mais venerados (tanto por crítica quanto por público) vocalistas de heavy metal da atualidade, é a voz da banda americana Symphony X. Além da banda de metal progressivo, ele também é vocalista do Adrenaline Mob, participou do quarto ábum (The Wicked Symphony) do projeto Avantasia, capitaneado pelo alemão Tobias Sammet (Edguy). Possuí também um projeto gravado em parceria com outro grande vocal da atualidade, Jorn Lande (Masterplan, Avantasia, Ark), o qual deu origem a três discos.

Com mais ou menos 1 hora de atraso, apagam-se as luzes e sobe ao palco Thiago Bianchi. Como se tratava de um workshow, o vocalista se apresentou sem banda, somente com um laptop onde ele mesmo escolhia as músicas que iria cantar. Obviamente, ele divulgou o seu novo trabalho com a banda Noturnall. Músicas muito pesadas e intrincadas, com foco forte na bateria. Não à toa, pois as baquetas da banda estão a cargo de Aquiles Priester, ex-Angra e Hangar. Thiago faz uma apresentação que, confesso, me surpreendeu. Poucas vezes o vi com tanto controle e tanta potência, me lembrando os tempos de Karma. Entre uma música e outra (4 no total), ele conversava com o público, respondia perguntas. Sempre muito simpático e brincalhão, foi uma grata surpresa (pelo menos para minha pessoa).

Noturnal

A “Lenda”

Logo após o término do seu workshow, Bianchi desce do palco e volta com a “lenda”. Russell Allen vem pelo meio do público e sobe ao palco, para delírio dos cerca de 250 fãs presentes. Uma breve saudação e logo começa a introdução da clássica “Of Sins and Shadows”, música do terceiro álbum de estúdio do Symphony X. A performance de Russel, como de costume, é fantástica. Tremenda facilidade para alcançar as notas mais altas e um feeling fora do comum.

Uma breve pausa para mais algumas palavras com o público e os primeiros acordes de “Inferno (Unleash the Fire)” do álbum “The Odyssey” são ouvidos. Uma das músicas mais famosas da banda, devido ao seu alto grau de dificuldade na execução, foi cantada em uníssono. Mais uma vez, destaque a performance de Mr. Allen. Essa música, sendo bastante diferente em termos técnicos da primeira, faz com que Russell explore bastante suas técnicas de vibratto e voz de peito, fora a costumeira facilidade nos drives.

Pausa nas músicas para responder perguntas dos fãs, num descontraído bate papo. Sempre simpático, Russell responde as dúvidas dos fãs sobre suas técnicas e seus treinos (que Russell afirma não fazer mais a muito tempo). Um fato curioso e bastante bacana me chamou a atenção: Ele cita inúmeras vezes o saudoso Ronnie James Dio, lendário vocalista de bandas como Rainbow e Black Sabbath, fora a extensa e vitoriosa carreira solo. Em vários momentos citava “Ronnie” como referência e mentor, o que era prontamente aplaudido pelos presentes. Uma bela lembrança e uma explicação muito bacana do porquê ele ser um gigante do estilo.

Segunda parte

O vocalista vem com duas músicas mais cadenciadas. Primeiro, executa a linda “Paradise Lost”, do álbum homônimo, também do Symphony X. A música tem um andamento bastante diferente das duas primeiras, e Russell pode explorar seu vocal mais limpo e suave, área onde está sempre confortável. Em seguida, vem a (enorme) bela “When All Is Lost”, do último registro de estúdio da banda americana, o ótimo “Iconoclast”. O vocalista pôde trabalhar bastante suas transições de técnica, devido as variações contidas na música. Mais uma vez,  impecável.

Mais uma pausa para perguntas e respostas, com o vocalista voltando para fechar o workshow com duas músicas do novo álbum do Adrenaline Mob, Men of Honor. Nas músicas desse projeto, Russell Allen tem a maior liberdade criativa de sua carreira. Uma sonoridade que vai do pop ao hardcore, sempre com fortes doses de heavy metal, faz com que o vocalista explore cada uma de suas técnicas, deixando cada música com uma linha vocal bem particular.

Fim do workshow de aproximadamente 2 horas e 30 minutos de duração. Agradecimentos ao público, que logo formou a fila para o aguardado “Meet and Greet” com os dois vocalistas. Para quem não sabe, Meet and Greet é uma espécie “tarde de autógrafos”, onde os fãs (normalmente os que compraram os primeiros ingressos, ou agraciados em sorteio) podem tirar fotos e trocar algumas palávras com seus ídolos. Essa “tática” tem sido usada pelos produtores para atrair fãs mais ardorosos aos shows por um preço um pouquinho maior. Por sorte, nesse workshow todos os presentes tiveram a oportunidade.

Workshow

Resumo Final

Russell Allen é um vocalista fantástico. Dono de um timbre raro no heavy metal, agrada em muitas vertentes, não importa de qual você venha. O evento, normalmente sendo voltado para músicos e principalmente vocalistas, foi feito de modo que apreciadores do estilo também curtissem. O horário foi muito bem escolhido, fazendo com que a galera saísse de lá e ficasse alí pelo boêmio bairro carioca para tomar aquela cerveja gelada, ótima pedida para a noite abafada. Eu, minha noiva e o casal de amigos que nos acompanhava saímos plenamente satisfeitos e garanto que quem tiver a oportunidade de assistir, também irá gostar.

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