Crítica: Os Mercenários 3

Os Mercenários 3 não teve uma recepção calorosa por parte da crítica. Apesar de ser líder de bilheteria no Brasil, o filme não vai muito bem no mercado norte americano. Sobre ser sucesso de crítica, é esperado que não seja, afinal de contas, todos sabemos que o mote da franquia é reunir velhos astros de ação em um mesmo filme – um sonho que permeou o imaginário daqueles que cresceram e foram brindados ao longo dos anos com o melhor dos filmes de ação:  Rambo, Rocky, Exterminador do Futuro, Máquina Mortífera, Duro de Matar, Indiana Jones, Bradock, O Grande Dragão Branco e por aí vai. Sobre não ter uma recepção calorosa no mercado americano, a explicação talvez seja de que a ideia perdeu o frescor e os olhares sobre a franquia passaram a ser mais exigentes.

Um gênio chamado Sylvester Stallone

Ninguém chega ao sucesso à toa e se fôssemos examinar a carreira dos grandes astros de ação, certamente nos depararíamos com grandes histórias. A de Stallone foi sempre a que me chamou mais atenção. O cara é um exemplo de superação e a prova de que a insistência pode as vezes ser o fator determinante para o sucesso.

Stallone sabe direitinho o que é comer o pão que o diabo amassou: em 1970 chegou a dormir três semanas na rua depois de ser despejado de seu apartamento por não ter dinheiro para o aluguel. Desesperado, chegou a considerar a ideia de se tornar um delinquente pra poder sobreviver; acabou ganhando 200 dólares para estrelar um filme pornô e isso acabou lhe livrando do mundo do crime.

Ao longo dos anos seguintes, fez aparições minúsculas e não creditadas em alguns filmes, mas sempre sem sucesso. As coisas voltaram a ficar na pior e o fundo do poço veio quando ele se viu obrigado a vender o próprio cão por 50 dólares.

Nessa mesma época, Sly assistiu a uma luta entre Muhammad Ali e Chuck Wepner. Ali, um grande campeão, derrubado por um desconhecido. O boxe, onde títulos, feitos e glórias ficam do lado de fora das cordas. Dentro do ringue, são apenas dois homens e um golpe pode significar a desgraça de um e a glória súbita pra outro. Aquela luta o inspirou a escrever o roteiro de Rocky. Diz a lenda que ele ficou três dias escrevendo a fio, sendo que em um dos dias passou 20 horas seguidas escrevendo.

Determinação?

Não, ousadia também. Stallone passou a oferecer o script de porta em porta, mas impunha a condição de que fosse o ator principal. Negou uma proposta de 350 mil dólares pelo roteiro, uma vez que os estúdios queriam outros atores pelo papel. Graças à sua persistência, acabou sendo aceito como ator principal do filme, mesmo que o preço pago pelo roteiro tenha sido 10 vezes menor. O resto é história: Stallone chegou lá, seu filme ganhou o Oscar de melhor direção daquele ano e de forma meteórica alçou o ator e escritor ao sucesso imediato. Que exemplo, não?

Além de Rocky, Stallone protagonizou outros filmes de sucesso. Destaque maior, claro, para a franquia do ex-soldado da guerra do Vietnã, o traumatizado e mal-humorado Jonh Rambo. Outro sucesso estrondoso, o tipo de filme que deixa a sua marca para todo o sempre na cultura pop e na história do cinema.

Stallone, como outros astros de ação, viu sua carreira declinar a partir dos anos 90: o físico já não era mais o mesmo, o cinema tinha mudado e caras como ele já eram considerados coroas demais. Somente em 2006, ele veio a experimentar o gosto do sucesso novamente. Resolveu chamar um velho amigo de volta: Rocky Balboa. O filme foi sucesso de crítica e público e parecia que as portas estavam abertas novamente para o Garanhão Italiano, tanto é que ele se arriscou a trazer o outro melhor amigo de volta. Mas Rambo 4 não repetiu o sucesso de Rocky e as coisas pareciam definitivamente acabadas para Sly.

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Uma grande ideia, de novo

E não é que Stallone teve outra grande ideia, já no alto dos seus 50 anos? Se Rambo e Rocky já não emplacavam mais, vamos criar um outro “R”: surgem Barney Ross e Os Mercenários. A grande sacada de Stallone foi reunir em seu time de “Mercenários” grandes nomes de ação do passado e do presente: Mickey Rourke, Randy Couture, Jet Li, Terry Crews, Dolph Lundgren e Jason Statham eram alguns dos membros da equipe de Stallone. Isso, por si só, já era grande coisa, mas Sly conseguiu ainda o feito de reunir Arnold Schwarznegger, Bruce Willis e ele próprio em uma única cena. Antológico, inédito. Sucesso.

Em 2012, veio Mercenários 2 e Van Damme e Chuck Norris entraram na dança. Várias cenas antológicas, mas um filme caricato demais. Mesmo assim, diversão garantida.

Os Mercenários 3

Obviamente que ninguém espera que Os Mercenários 3 seja um filme que chegue aos pés de “O Poderoso Chefão”. Não vá ao cinema esperando mais do que se divertir. Se é isso que você quer, o produto é de ótima qualidade. Se você quer ver uma obra de arte do cinema, escolha outro filme.

Os Mercenários 3 é o melhor filme da franquia. Melhor dirigido e com uma história um pouco mais elaborada, o filme ganha muito com a inclusão de Mel Gibson, Harrison Ford, Wesley Snipes e Antonio Banderas no elenco: Wesley Snipes é a piada pronta do filme. Seu histórico recente de confusões com a justiça é explorado a todo tempo; Banderas é o cara que faz rir: o seu papel é uma mistura de um espanhol típico dos filmes de Woody Allen com o burro falante do Shrek; Ford é o substituto direto de Bruce Willis, é o carrancudo do governo que contrata a equipe de Mercenários.

O destaque maior, contudo, é Mel Gibson: pela primeira vez a franquia possui um vilão de verdade, que bota algum medo em Stallone e no espectador. Gibson passeia no papel de um ex mercenário, psicopata e extremamente violento, que passou para o lado negro da força. Suas cenas são, de longe, as melhores do filme.

Dos “novos” mercenários, só Ronda Rousey é quem merece algum destaque. Os demais são, infelizmente, genéricos.

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Pitaco Final

Não espere uma obra de arte. Vá ao cinema e se divirta com um produto ligeiramente melhor que os anteriores. É óbvio que existem cenas forçadas, é óbvio que o final é previsível e é óbvio que existem explosões de mais para atuações de menos.

Mercenários não deve ser criticado como um filme comum. Ele é uma homenagem e um presente para todos aqueles que amam o cinema clássico de ação. E a cavalo dado não se olha os dentes. Por isso mesmo que essa crítica foi escrita mais como uma homenagem ao trabalho de Stallone. Não quero apontar defeitos no filme, quero apenas celebrar esse presente.

Mercenários 3 não entrega nada a menos do que promete. Deixe sua carapaça de cri-cri em casa e permita-se 90 minutos de diversão. Faz bem e eu recomendo.

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