Resenha: RoboCop (2014) e um pouco de RoboCop (1987)

Atenção! Comunicado importante.
Nesta resenha usaremos os termos remake e reboot. Se você não sabe o que significa, aqui vai a explicação: Enquanto remake é um filme refeito com pouca ou nenhuma alteração (como no péssimo King Kong – Dinossauros? Sério?), reboot é um filme que reinicia a história e toma rumos completamente diferentes (como a trilogia Cavaleiro das Trevas). Voltamos a programação normal.

Eu sou um cara que fica sempre com um pé atrás quando o assunto é remake/reboot de algum clássico do cinema. Me decepcionei algumas vezes como em O Vingador do Futuro e King Kong e me surpreendi outras vezes como no ótimo Onze homens e um segredo. Mas sempre acho que alguns filmes deveriam ser intocáveis. Imagina se em um dia ensolarado, você lê a notícia que anunciaram um remake (ou pior, um reboot) de De volta para o futuro ou então Os Goonies?

Foi em um dia ensolarado de 2005 que li a primeira vez que fariam um remake de RoboCop. Na hora eu parei tudo que estava fazendo e soltei um alto “Porque??”, afinal RoboCop marcou a minha infância. Era aquele filme que eu assistia e reassistia incansavelmente, com pipoca e guaraná. Então você deve entender o meu medo.

Mesmo com o anuncio de Darren Aronofsky (O Lutador, Cisne Negro e do aguardado – pelo menos por mim – Noé) como diretor, o meu pé estava lá atrás. Mas os anos se passaram e parecia que a ideia tinha ficado para trás. Ou pelo menos eu achava, quando alguns lapsos aconteceram de 2008 a 2010. Diversos anuncios e mudanças ocorreram com o passar do tempo, como a saída de Aronofsky da direção do filme.

Novo rumo

Então, em 2011, José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2) foi anunciado como diretor do filme. E pareceu que tudo engrenou e o trabalho começou.

Conforme a produção acontecia e as notícias saiam, eu ficava cada vez mais tenso. Mas anunciaram RoboCop como um reboot (com umas pitadas de remake). E isso deu um certo alívio: Mesmo não gostando da ideia, pelo menos eles não iriam mexer em um legado. O clássico estava intocado. Entendo um reboot, quando bem executado, como uma atualização para um público mais jovem. E acredito nele como ferramenta para atiçar a curiosidade deste público para os filmes antigos.

O tempo foi passando, alguns grandes nomes foram anunciados, algumas fotos e vídeos chegavam em nossas telas. E o que eu via na internet era um bando de pessoas falando mal de algo que nem tinha saido. Nem eu, não curtindo a ideia de um remake/reboot, fiz isso. Eu precisava ver para criticar.

RoboCop

Em fevereiro de 2014, o novo RoboCop foi lançado. Estava tudo lá: Alex Murphy, sua transformação robótica, uma Detroit corrupta e com níveis criminais estratosféricos, OmniCorp (um pouco diferente do filme de 1987 que se chamava Omni Consumer Products), a mídia estereotipada, a pistola na perna. E conforme o filme ia passando, eu ia me surpreendendo com as escolhas e gostando do resultado. Sim! Já posso adiantar que esse RoboCop entra para a lista dos reboots que deram certo.

Um robô humano

Em RoboCop (2014) ano é 2028 e a multinacional OmniCorp está no centro da tecnologia robótica. No exterior, os drones têm sido usados pelos militares há anos. Agora a OmniCorp quer trazer sua tecnologia controversa para as ruas dos EUA, sendo, de forma eficaz, proibido pelo senado americano por conta de colocar a segurança da população nas mãos de objetos sem consciência.

E então eles tem uma oportunidade de ouro para fazer isso. Quando Alex Murphy (Joel Kinnaman) – um marido amoroso, pai e bom policial fazendo seu melhor para conter a onda de crime e corrupção em Detroit – é gravemente ferido no cumprimento do dever, a OmniCorp vê sua chance criar um policial parte homem, parte robô. OmniCorp prevê um lucro que chegaria na casa dos bilhões, mas nunca contou com uma coisa: ainda há um homem dentro da máquina, buscando justiça. Quem viu o filme original deve ter percebido que sim, a história é bem diferente.

RoboCop

Diferenças…

A grande diferença de RoboCop (2014) para o original é a humanização de Murphy após a sua “robotização”. Enquanto no filme de 1987, vemos a família dele em um lapso e suas memórias nunca são recobradas (ele cita que sente sua mulher e filho mas não lembra deles), no novo RoboCop, sua família faz parte, do começo ao fim de toda a trama. Inclusive Clara, sua esposa, é quem autoriza a OmniCorp a cuidar do tratamento de seu marido.

Outra coisa, vemos agora de perto a construção dele, pelas mãos de Dr. Dennett Norton (vivido por Gary Oldman), o que não aconteceu no filme original (víamos somente as regulagens pela visão do RoboCop). E dessa vez, Murphy está consciente e ao ver seu estado, ele entra em desespero, pedindo para ser morto. Mas a sua família se torna a razão de viver.

RoboCop

Enquanto no filme original a Omni Consumer Products (ou OCP) era formada por inúmeros rostos, no novo filme, a OmniCorp tem um rosto principal, o Executivo-chefe (e vilão) Raymond Sellars (vivido por Michael Keaton), além de sua equipe, o chefe de marketing Tom Pope (Jay Baruchel e sua cara de bobo) e Liz Kline (Jennifer Ehle), chefe da área jurídica. Além desses novos personagens, temos também Rick Mattox (Jackie Earle Haley, o Rorschach de Watchmen) como o estrategista militar responsável pelo treinamento de RoboCop.

A presença da mídia agora é maior do que no filme original e mais caricata. Existe um programa de televisão que aparece (em momentos oportunos). Pat Novak (Samuel L. Jackson) é o âncora do programa que defende as máquinas nas ruas e o dinheiro no bolso. Até o patriotismo é um grande estereotipo. Como sempre, Samuel L. Jackson está ótimo!

RoboCop

O design da armadura ficou bem interessante e agora ele está na cor preta ao invés da original (mas calma, antes de você reclamar, assista ao filme). Existe até uma homenagem à armadura antiga.

(Quase) sem violência

Um detalhe: a violência no filme original era enorme em relação ao novo. Quer uma cena mais sangrenta que a tentativa de assassinato de Murphy? Ou um dos comparsas do vilão banhado em líquido tóxico?

RoboCop

RoboCop (2014) não é sensacional, mas vale a pena. E é sempre bom ver um brasileiro fazer um ótimo trabalho em nível internacional. Valeu Padilha! Que venha RoboCop 2. E claro, se você não assistiu ao filme original, está esperando o que?

Obs.: Gary Oldman continua gritando muito.

Uma curiosidade: Se você assistiu RoboCop (1987) e Tropas Estelares (1997) talvez tenha percebido que a mídia está sempre presente com comerciais no mínimo cômicos. Não é a toa: os dois foram dirigidos por Paul Verhoeven. Você verá algo parecido em O Vingador do Futuro (1990), que também é do mesmo diretor. Vale a pena ver (ou rever)!

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