The Last of Us: Left Behind – #EllieEscrota

(Se você veio do artigo sobre o jogo original, seja bem vindo! Se você não sabe do que estou falando, clique aqui.)

Calma! Você, que jogou The Last of Us, viu o título do artigo e deve estar pensando “Como assim Saulo? Ellie escrota? Larga de ser babaca…”. Eu falei CALMA! Eu vou te explicar o porque e você, que conhece muito bem a Ellie, a cria de Chuck Norris, vai entender. Mas antes…

No capítulo anterior de The Last of Us…
Em um mundo pós-apocalíptico, Joel (na voz do excelente Troy Baker), um cruel sobrevivente (nem um pouco herói e muito menos alguém nobre), vive em uma das últimas zonas de quarentena remanescentes. Cidades são controladas com o que sobrou dos militares. Apesar da lei marcial, Joel atua no mercado negro da cidade, fazendo contrabando pelo preço certo.

Para recuperar uma mercadoria perdida por sua parceira, Joel segue para uma jornada na qual tem que transportar uma garota portadora de uma possível cura, Ellie (na voz da linda Ashley “Não é a Ellen Page” Johnson), uma menina de quatorze anos, mas com coragem além de sua idade, até um grupo de rebeldes. O que começa com um trabalho simples, logo se transforma em uma viagem que mudará para sempre Joel e Ellie.

The Last of Us

Conforme viajam através de um Estados Unidos pós-apocalíptico, Joel e Ellie vão encontrar diferentes facções de sobreviventes, onde cada um encontrou uma maneira original de lidar com as pessoas infectadas pelo cordyceps (um fungo que transforma o infectado em zumbi), a falta de suprimentos e da ameaça de outros sobreviventes.

Como Joel e Ellie lutam para perseverar, eles devem aprender a confiar um no outro e trabalhar juntos para sobreviver as realidades deste mundo novo.

Na sua essência, The Last of Us é sobre o vínculo que se forma entre Joel e Ellie – a história de amor, lealdade e redenção.

The Last of Us

“Tá vendo o espaço entre o olho esquerdo e o direito? É ali que você acerta…”

(Nota do autor: Como pai, entendo muito bem as escolhas de Joel durante o jogo e principalmente, no fim. Fica a curiosidade para quem não jogou!)

Acabou o jogo e eu quero mais!

Essa foi a sensação quando terminei The Last of Us. O que acontece depois? E Joel? O que aconteceu durante os 20 anos desde a fagulha que o tornou essa pessoa cruel? E como a Ellie se tornou a última esperança da humanidade?

Para tentar responder algumas perguntas, a Naughty Dog lançou em fevereiro de 2014 o DLC (conteúdo adicional para download), The Last of Us: Left Behind, que responde um dessas perguntas: Quem era a Ellie antes do arco principal.

A história do jogo gira em torno de dois momentos distintos e interligados: o tempo de Ellie com Riley, sua melhor amiga, antes do arco da história principal e o momento após a luta contra o grupo de David na Universidade de Colorado, quando Joel está gravemente ferido e Ellie precisa encontrar suprimentos médicos em um shopping, ao mesmo tempo que se esgueira em ambientes com infectados e se encontra novamente com o grupo de David.

Infância…

Três semanas antes do arco principal, Riley supreende Ellie na escola militar e conta que se tornou uma Firefly (Vagalume, principal organização anti-governamental, um dos poucos grupos que estão em busca da vacina contra o cordyceps). Tentando animar Ellie, Riley a leva escondida para um shopping abandonado. As duas conseguem ligar a energia do local e Riley faz uma surpresa à Ellie, um passeio por diversos ambientes, tentando resgatar a amizade (e por consequência a infância das duas).

Conseguimos ter uma ideia de como seria a infância em um mundo pós-apocalíptico. Ela pode se tornar quase inexistente e confusa. A linha entre a criança e adulto é tênue e extremamente frágil. O próprio ambiente que as duas se encontram indica isso: Locais como lojas de brinquedos, fliperamas e carrossel rodeados por ambientes escuros, alagados e perigosos.

…e Amadurecimento

Um momento muito interessante acontece quando Riley entrega um livro de piadas para Ellie. O jogador pode escolher ler algumas piadas ou apenas cancelar a opção. Provavelmente você irá escolher ler as piadas, porque você quer ver Ellie curtindo uma infância que ela não teve. Nesse momento, eu fiz um teste. Mudei a posição da câmera duas vezes e tive duas sensações diferentes. Enquanto ela lia, de um lado tinha um carrossel iluminado, forte símbolo infantil, do outro, um local escuro e amedrontador, que para explorá-lo, Ellie precisaria de muita coragem (coisa que vemos no arco principal).

Um detalhe para você entender como o mundo se tornou um local inóspito: Em certo momento do passeio, Ellie e Riley passam por um local onde viva um homem. Durante o diálogo, elas comentam que ele morreu de ataque cardíaco. Ellie então diz algo do tipo “eu nunca tinha conhecido alguém que morreu naturalmente”.

The Last of Us

Mas ao final desse momento juntas, vemos a mudança repentina e de certa forma, fruto da ingenuidade das duas (não contarei o que acontece para não estragar a história para você que vai jogar). Se associarmos ao arco principal, vemos que Ellie não teve tempo para se desenvolver em três pontos de vista: biológico, a mudança corporal, com o amadurecimento sexual (confuso em certa parte do jogo); social, da infância para a vida adulta, o amadurecimento e a autonomia em relação aos pais; e psicológico, a estruturação de uma identidade definitiva. Ali foi o momento que ela teve que se tornar adulta quando experimentou em um curto período de tempo vivências reais e imaginárias.

Ellie e somente Ellie

No segundo momento, vemos Ellie tentando salvar Joel, que está gravemente ferido. Esse momento faz parte do arco principal, antes do jogador ir para Lakeside Resort. Achei uma ideia inteligente da Naughty Dog, pois complementa a experiência original.

Ellie deixa Joel trancado em um local dentro do shopping próximo à Universidade de Colorado e vai em busca dos suprimentos para salvá-lo.

Aqui já vemos a Ellie amadurecida e determinada (oscilando em alguns momentos, afinal, ela tem quatorze anos). Ela vai se esgueirando pelos ambientes, matando os infectados, sempre tentando não chamar atenção.

É quando o grupo de David reaparece. Ellie, sabendo que seu forte não é a luta corpo-a-corpo, usa os infectados como arma, jogando objetos próximo ao grupo. Assistindo o massacre entre o grupo e os infectados, Ellie espera o momento certo para acabar com os poucos remanescentes (pude matar a saudade de ver a Ellie, a Chuck Norris feminina, em ação).

Ellie consegue salvar Joel, enquanto as últimas palavras de Riley no shopping, ecoam em sua mente.

O jogo (tecnicamente falando)

The Last of Us: LB continua, claro, com o mesmo gameplay do anterior, mas focado na fragilidade de Ellie, como falei anteriormente. Existem novas interações (como um “jogo” de fliperama, que aliás, se você jogar, vai ter uma ótima experiência). Os gráficos continuam impecáveis e a trilha sonora (que sou suspeito, pois é algo que sempre presto atenção), com predominância do violão do hermano Gustavo Santaolalla, está perfeita (só eu imagino viver em um mundo pós-apocalíptico carregando um violão? Ok, provavelmente eu seria um infectado, mas você me entendeu não é?).

Ellie pode construir artesanalmente alguns itens como kits médicos e armas com materiais que encontra durante o jogo. Um dos itens mais importantes do arco principal, a faca, não é possível ser construída por Ellie. Em compensação ela possui um canivete (inquebrável).

#EllieEscrota

Agora que você leu sobre o DLC, quero te explicar o porque ela foi escrota em algum momento do jogo. Quando você joga o arco principal, a faca é um dos itens principais. Com ela você pode matar pelas costas, com um golpe, qualquer inimigo, além de usar para arrombar portas, onde consegue itens especiais. Para construí-la você precisa de uma certa quantidade de lâmina e fita. Mas por exemplo, a lâmina serve para construir uma bomba de pregos também. Em algum momento, essa bomba faz falta. A faca, no início do jogo, tem pouca durabilidade (utilizável apenas uma vez).

Pois bem, em The Last of Us: LB, para compensar a fragilidade, a Ellie usa e abusa do seu canivete (que está disponível também no primeiro jogo, mas como você joga em poucos momentos com ela, acaba usando pouco).

Olha o problema: Em nenhum momento do arco principal a Ellie vira para o Joel e fala “Joel, ao invés de você gastar lâmina com faca, usa o meu canivete”. Que pessoa mais egoísta!

#EllieEscrota

Joel xingando muito no Twitter…

Brincadeiras a parte, o canivete é um item que faz Ellie lembrar de sua mãe. Faz todo sentido se ela não emprestou. Mas em um mundo pós-apocalíptico, você vai apegar as coisas dessa forma? 😛

Veredito

O jogo revive os bons momentos do arco principal, trazendo um complemento e elevando muito o carisma dos personagens que tanto gostamos. Ellie, para mim, continua sendo uma das melhores personagens de todos os tempos. O tempo de jogo é seu ponto fraco (em torno de 2 horas), mas a riqueza do enredo e personagens continua cada vez melhor. Vamos torcer para novos DLCs até o lançamento do já anunciado The Last of Us 2 para PS4.

Palmas para você, Naughty Dog.

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