Pitacos #7: BioShock Infinite

O velho clichê chamado FPS

Eu sei que você já deve ter lido isso um milhão de vezes, mas a verdade é que os jogos de tiro atualmente são focados no modo multiplayer e não na campanha single player. Não tenho nada contra jogar FPS em rede, a não ser pelo fato de morrer toda hora. Tirando isso, tá tudo certo.

Mesmo assim, sempre existem aqueles FPS onde se espera uma campanha mais elaborada: Crysis e Far cry são bons exemplos, mas nunca considerei que tais jogos cruzaram a linha tênue que separa um bom jogo de uma obra de arte.

Bioshock Infinite cruza essa linha de maneira muito, mas muito competente. O protagonista é Booker DeWitt, um ex militar americano que ganha a vida como investigador particular. Sua missão? Resgatar a jovem Elizabeth, que está trancafiada em uma cidade suspensa e cheia de mistérios chamada Columbia.

“Poxa vida, uma cidade suspensa? Esse jogo deve ser uma bela duma porcaria” – pensei . Mas estava enganado. Quando “cheguei” em Columbia, quase caí do sofá!

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Columbia, uma obra de arte!

Assim que pisamos em Columbia, nos damos conta de que estamos muito mais do que em uma “cidade suspensa” do início do século 20. Columbia é um lugar único, tem vida própria e respira religião e patriotismo…misturados.

De cara, somos apresentados a uma imagem já conhecida: Um casal e sua criança sagrada, que resgatará a humanidade das garras do enganador, do falso profeta, do “carcará”. Batata, né: Jesus, Maria e José. Ledo engano, a começar pelo fato da criança não ser um menino, e sim, uma menina; além disso, os pais não se parecem nada com judeus e sim, com um típico casal americano do início do século. O “pai da criança” é um barbudo que atende por nome de Zachary Hale Comstock.

Comstock se autodenomina um profeta, o líder religioso de Columbia. Os símbolos religiosos estão em cada esquina de Columbia: a “santíssima trindade”, composta aqui por grandes presidentes americanos, um quarteto gospel cantando “God Only Knows”, pregadores, a “marca da besta”, livros sagrados, a veneração à mãe da criança sagrada, a perspectiva do apocalipse e os povos do mal, representados pelos “demoníacos” indígenas e chineses. Toda essa simbologia é tratada com imenso esmero no jogo e você realmente “acredita” em Columbia. A cidade é viva e detalhada o suficiente para que, em pouco tempo, você já esteja imerso naquela cultura que mistura de maneira muito esperta política, alienação e religião (o que de certa forma ocorre até hoje).

Os descontentes

E não é só de religião e “americanismo” que Columbia vive. Existem os que estão descontentes com a situação de Columbia, o grupo oposicionista chamado Vox Populi. Eles são a força que contra-balanceia o ambiente dominado pela elite, chamada de Fundadores. Esse aspecto poderia ser melhor explorado, inclusive; o contato que temos com o Vox Populi serve ao enredo mas a “revolta” fica apenas subentendida.

O ambiente é cuidadosamente construído: a tipografia dos cartazes expostos nas ruas, o design do mobiliário, os vídeos que você pode assistir e que contam um pouco da história de Columbia e da época, os objetos com cara de feira de antiguidade, a trilha sonora de acordo com a época, 1912. A cidade é tão legal que me vi por várias vezes deixando a história de lado somente para admirar sua complexa diversidade.

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Elizabeth

Passado o deslumbramento causado por Columbia, vamos voltar à história. Você se lembra que o objetivo é resgatar a tal Elizabeth, né? Pois, bem, isso não será nada fácil.

Elizabeth passou a maior parte de sua vida como prisioneira, dentro de uma torre, a mando de Comstock. Ela é vigiada constantemente por uma espécie de criatura-mecânica, uma mistura de pássaro e avião, chamada Songbird. Resgatar Eliabeth da torre dá um trabalho da p*. Como não quero dar spoilers, basta ao leitor saber que a presença de Elizabeth garante ao jogo uma nova dinâmica: ela passa a ajudar Booker durante os tiroteios, com energia, sais (o combustível dos vigores – poderes mágicos – de Booker) e munição. Além disso, é ela quem destrava portas e cofres no game.

Elizabeth também possui um poder sobrenatural muito interessante: Ela consegue manipular fendas temporais e, por conseguinte, se deslocar no tempo-espaço. Sim, ela acessa “mundos paralelos”. Isso dá ao jogo infinitas possibilidades: Booker pode pedir para que Elizabeth abra uma fenda temporal onde, por exemplo, pode-se acessar munição extra, kit´s médicos ou mesmo usar armamento autômato ao nosso favor.

Enredo de primeira

Fendas temporais? Falso profeta? Cidade flutuante? Tudo isso poderia soar uma grande salada de frutas desconexa, e é a impressão que se tem ao longo de boa parte da aventura. São muitas informações, destinos e objetivos ocorrendo ao mesmo tempo, mas o fato é que a história não deixa nenhuma ponta solta. Depois de idas e vindas no espaço-tempo, temos um final arrebatador onde descobrimos quem é quem, os motivos e os porquês daquilo tudo. É tudo tão bem resolvido que a vontade de jogar de novo – já ciente do final – para captar melhor os detalhes é inevitável.

PS3 / Xbox 360: Seus dias estão contados

O gameplay de Bioshock Infinite é bem satisfatório, embora não hajam muitas novidades a serem ditas em relação a um jogo FPS. O sistema de melhoria das armas é bem variado, e você pode atualizar vários aspectos em cada uma delas.  No caso de você optar em variar o uso de suas armas para desbloquear achivements ou troféus, a chance de ficar sem munição é grande. Os poderes, que no jogo são chamados de “vigores”, são muito úteis. Cada tipo de “inimigo” é sensível a um vigor em especial. Eu, por exemplo, fui descobrir só no final que os Patriotas são sensíveis ao vigor “Shock Jockey”. Já fica a dica.

Em relação aos outros Bioshocks, ele parece ser um pouco mais fácil. A adição dos trilhos suspensos – uma das diversas características legais de Columbia – é uma bem-vinda novidade. Booker pode navegar “pendurado” neles e dar seus tiros e “pitis” lá de cima. Essa dinâmica funciona muito bem e é legal demais você poder cair matando, literalmente,  nos inimigos.

Em termos gráficos, as versões para PS3 e Xbox 360 sofrem bastante. Apesar de feito em 2013, a versão dos consoles tem gráficos bem datados, o que já não ocorre na versão para PC. É, PS3 e Xbox 360, vocês estão com os dias contados.

Pitaco final

A produção é o ponto alto de Bioshock Infinite: a riqueza com que a cidade de Columbia foi concebida é de fazer inveja em muitos jogos dessa geração. Some-se a isso um enredo maravilhoso, uma trilha sonora excelente, detalhamento em todos os níveis e o resultado vai além de um FPS comum. Aqui temos uma obra de arte.

Nota: 10

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